MS Journal #11 : Julho. 2025 |
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A vida não é um projeto de desempenho.”
— Byung-Chul Han, A Sociedade do Cansaço
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VIVER BEM NÃO DEVERIA PARECER UM TRABALHO.
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Existe uma obsessão da sociedade com o “certo”.
A fórmula da saúde ideal. A rotina matinal perfeita. A lista definitiva de hábitos para a longevidade.
Mas e se o segredo não estiver na rigidez dos protocolos, e sim na independência dos desvios e na liberdade de seguir um ritmo que não esteja em nenhum manual?
Recentemente, o New York Times publicou cinco dicas para uma vida mais longa. Nada de métodos inovadores ou metas inalcançáveis. Apenas cinco gestos simples e humanos: dormir bem, mover o corpo, cultivar otimismo, observar-se, manter conexões. Há algo de reconfortante em perceber que tudo se resume ao essencial.
Esses mesmos gestos aparecem nas chamadas Blue Zones — regiões do mundo onde as pessoas vivem mais tempo e com mais qualidade. Lá, ninguém contabiliza passos com um relógio digital. Caminha-se porque há um jardim a cuidar ou um amigo a ser visitado. Cozinha-se porque há prazer em alimentar-se. Move-se o corpo com propósito, não por performance. A alimentação é intuitiva. O descanso é respeitado. O tempo não é corrido, é vivido.
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Still Life” (1946), de Giorgio Morandi. Sua obra comunica a desaceleração e a beleza do que é simples.
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O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em A Sociedade do Cansaço, aponta que vivemos sob o peso de estar sempre em busca de alta performance, produtividade e autocontrole. O resultado? Corpos exaustos, mentes dispersas, uma vida reduzida à própria gestão.
É curioso pensar que, num mundo saturado de estímulos, descansar ou se recusar a dar check em listas pode ser um ato de resistência.
Albert Camus, em seus ensaios, defendia justamente isso: encontrar sentido mesmo na ausência de fórmulas. Para ele, a grandeza da existência não está em descobrir o propósito de tudo, mas em habitar com integridade a vida cotidiana.
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As criações da coleção Discos representam a essência da vida, o movimento, a liberdade.
A longevidade, ao que tudo indica, não é um privilégio de quem segue protocolos que não funcionam para si mesmo, mas de quem valoriza o essencial. E isso exige uma escolha quase subversiva: sair do modo automático ou recusar as fórmulas que o mundo tenta impor.
Talvez isso soe familiar. Afinal, se você sente afinidade com o nosso universo, provavelmente concorda com essa reflexão.
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