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MS Journal #16  :  Setembro 2025

 
 
 

FECHE O APP. APERTE O PLAY.

 
 

A música sempre foi um território de liberdade e descoberta. Antes das plataformas digitais e seus algoritmos, as sugestões chegavam de formas mais orgânicas e coletivas: em conversas com os amigos, no rádio do carro, numa cena de filme. Havia algo de especial nesse processo: a sensação de tropeçar em uma faixa que não sabíamos que precisávamos ouvir até o instante em que ela começava a tocar.

 

 

 

Hoje, os algoritmos montam playlists sob medida e oferecem variações do que já conhecemos e gostamos. Mas essa eficiência cobra um preço: pode diluir justamente a surpresa — e a música, talvez mais do que qualquer outra arte, precisa da surpresa para nos comover. 

 

 

 

Esta edição do MS Journal é um convite a desligar o piloto automático, fugir dos vieses e não se contentar só com as sugestões do algoritmo quando você sentir vontade de ouvir um som. 

 

 
©Byung-Chul Han

A trilha de Perfect Days é uma atração à parte. Ouça aqui. 

 
 

A importância da curadoria humana

 

 

 

Quando deixamos que a lógica preditiva escolha por nós, corremos o risco de ficar presos em um círculo que nos agrada, mas nos limita. A curadoria humana, por outro lado, nos leva a lugares que não estavam no mapa. Um crítico que compara um lançamento atual a uma gravação esquecida dos anos 70. Um amigo que insiste em mostrar “só mais uma faixa” de um artista que ele acabou de descobrir. Um editor de playlist que prefere arriscar do que repetir. É nesses gestos que a música recupera seu poder de independência - algo tão fundamental e presente nas nossas criações.

 

 

 

Não se trata de nostalgia ou de rejeitar a tecnologia — ela é uma grande aliada. Mas sim, questionar o que o mundo oferece como fórmula pronta e lembrar que a música não é apenas um dado a ser processado: é identidade, expressão, risco, inovação. 

 

 

 

De vez em quando, vale fechar o app e confiar em alguém que nos convide a ouvir o que não sabíamos que existia.

 

Para escapar da bolha

 
 
 

The Amplifier (NYT) — coluna musical do New York Times em que jornalistas exploram tendências, artistas emergentes e rupturas sonoras. Um contraponto editorial ao “som por algoritmo”, que convida a escutar — de fato — o novo.

 
 
 
 
 

NTS — uma rádio global 24/7 que alia curadoria humana, liberdade de expressão e diversidade sonora sem se render às fórmulas previsíveis. Com transmissões vindas de mais de 50 cidades pelo mundo, NTS oferece — além de dois canais ao vivo — um vasto acervo de programas e “Infinite Mixtapes” que exploram de jazz a música experimental, de techno a tradições pouco divulgadas. Todos os shows são curados por DJs, artistas e colecionadores apaixonados, sem anúncios comerciais e com respeito à liberdade criativa.

 
 
 

MS Radio - moodboards sonoros com uma curadoria humana e atenciosa, que traduzem em música o nosso universo. Na segunda edição, lançada esta semana, abrimos as comemorações do nosso aniversário de cinco anos de mudança de Nova York — onde nascemos — para São Paulo com uma playlist que conecta faixas lançadas entre 2020 e 2025 por artistas dessas duas cidades que moldam o nosso DNA.

 
 
 

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Enviado por Marina Schaffa
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