MS Journal #18 : Outubro 2025 |
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MS 5 ANOS : RICHARD SERRA E DIÁLOGOS ENTRE ARQUITETURA, ESCULTURA E JOALHERIA |
“Circular pelas esculturas de Richard Serra é uma das experiências que mais me arrebatam. Há algo de quase hipnótico naquelas curvas imensas de aço — o gigantismo, o metal que se transforma em leveza, atitude de transformar o óbvio em arte”. — Marina Schaffa |
Há artistas que não criam apenas obras — criam maneiras de estar no espaço.
Richard Serra (1938 - 2024) foi um deles e suas esculturas monumentais estão entre as primeiras e maiores fontes de inspiração para os designs da diretora criativa Marina Schaffa.
Serra nasceu na Califórnia e cresceu cercado pelo som e pela força do metal. Seu pai trabalhava em um estaleiro, e foi ali, entre navios e chapas de aço, que ele descobriu a matéria-prima que definiria toda a sua trajetória.
Nos anos 1960, em Nova York, emergiu como um dos grandes nomes da arte minimalista e da escultura contemporânea. Mas enquanto outros artistas do minimalismo buscavam pureza e forma, ele explorava peso, gravidade e deslocamento.
Esta edição do MS Journal é dedicada a Richard Serra, como parte das celebrações dos cinco anos da nossa mudança de Nova York — onde nascemos — para São Paulo.
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East-West/West-East, Richard Serra - Deserto do Qatar |
Colar Bar - equilíbrio geométrico que dialoga com a obra de Serra |
MS E RICHARD SERRA
Ver suas obras foi determinante para a construção do nosso olhar. A experiência de entrar em Torqued Ellipses (1996–97) ou atravessar Band (2006) não é visual, é corporal: o espaço se curva, o eixo muda, o tempo desacelera. Serra transforma o aço — o material mais rígido — em superfície de movimento e instabilidade.
Essa inversão de expectativas — o pesado que se torna leve, o fixo que se move — também orienta a nossa joalheria, que recusa clichês.
Em Equal (2015), Serra empilha blocos idênticos de aço para questionar a relação entre peso e presença. O mesmo raciocínio formal orienta peças como o colar Cubo, em que o equilíbrio geométrico é o ponto de tensão e repouso — uma escultura portátil.
Serra dizia que a arte não deve ilustrar ideias, mas existir.
Essa é também a premissa do nosso trabalho: peças que não representam, mas ocupam. Que não decoram, mas dialogam com o espaço e com o corpo.
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PARA SE ARREBATAR AO VIVO |
UM RETRATO DA MENTE DE RICHARD SERRA |
O livro Writings Interviews é uma coletânea de entrevistas, ensaios e reflexões de Richard Serra que revelam como ele pensava a arte — não apenas como forma, mas como experiência física, filosófica e política. Nele, Serra discute suas obras site-specific (criações pensadas para um lugar específico) e sua relação com o espaço — seja urbano, natural ou arquitetônico. Também aborda a função da arte contemporânea: se ela deve ser política, decorativa ou pessoal. Conversas com nomes como Peter Eisenman, Alan Colquhoun e David Sylvester exploram o diálogo entre escultura e arquitetura, um tema central na obra de Serra.
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PARA AMPLIAR O REPERTÓRIO: ARTE QUE DIALOGA |
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