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MS Journal #20  :  Novembro 2025

 
 
 

MS Journal #20 - SILÊNCIO, POR FAVOR

 
 

Silêncio é presença, não ausência.

O silêncio não é o nada — é tudo.

 

Frase inspirada na ideia de Gordon Hempton

 
Anel Gap
 
 

Vivemos no período mais barulhento da história — cidades, telas, notificações, motores, tarefas, fluxos de informação. O ruído virou pano de fundo permanente. E isso não é só incômodo: é impacto fisiológico real.

 

 

Pesquisas já associaram exposição constante ao barulho com ansiedade, depressão, doenças cardiovasculares e perda cognitiva. Nosso cérebro não foi projetado para estímulo contínuo, e começa a entrar em modo defesa quando não encontra espaços de pausa.

 

 

Silêncio não é um capricho zen. É higiene mental. É regulação do sistema nervoso. É uma disciplina emocional e, cada vez mais, uma necessidade urbana.

 

 

Nesta edição, investigamos por que estamos desaprendendo a tolerar o silêncio, o que perdemos com isso, e como recuperar espaço para ouvir — o mundo e a nós mesmos.

 

 

 

ideias rápidas + ciência que vale guardar

 

 

  • Pesquisadores da Universidade de Pavia descobriram que dois minutos de silêncio reduzem mais o estresse do que música clássica e até mais do que descanso total no escuro. Dois minutos.

  • A Johns Hopkins mostrou que o cérebro ouve o silêncio como um evento — não é ausência, é percepção ativa.

  • O ruído urbano sobe 0,5 a 1 decibel por ano.
    Sim, estamos overestimuladas.

  • Cientistas da Universidade Duke descobriram que passar duas horas por dia em completo silêncio pode estimular o crescimento de novos neurônios no hipocampo — região do cérebro ligada à memória.

📖 The Lost Art of Silence, de Sarah Anderson

 
East-West/West-East, Richard Serra - Deserto do Qatar
 
 

No seu livro The Lost Art of Silence, Sarah Anderson investiga o silêncio como força cultural, espiritual e psicológica. Não o silêncio imposto, mas o silêncio escolhido, aquele que abre espaço interno e afina a percepção.

 

 

Anderson percorre tradições contemplativas, a história da meditação, retiros silenciosos e até protestos sem palavras, mostrando como períodos de quietude voluntária moldaram artistas, pensadores e místicos. Ela cita nomes como Thomas Merton, Rilke, Virginia Woolf e Annie Dillard para ilustrar como a ausência de ruído pode ampliar perspectivas e aprofundar a vida criativa.

 

 

Em suas viagens — do gelo da Antártida às paisagens silenciosas da Sibéria — Anderson descreve momentos em que o mundo inteiro parece “abaixar o volume”, permitindo que o pensamento se organize, a sensibilidade floresça e o eu desacelere.

 

 

Seu ponto central:
o silêncio é um recurso renovável para a alma, desde que seja acolhido, e não imposto.

 

 

O livro equilibra pesquisa, contemplação e prática, oferecendo caminhos para cultivar silêncio no cotidiano, seja por meditação, momentos na natureza, ou pausas conscientes entre um estímulo e outro. 

 

 

Então fica aqui o nosso convite para reaprender a escutar, o dentro e o fora.

 

 

 

Silence snacks, como alguns pesquisadores chamam. Pequenas mordidas de quietude para o sistema nervoso respirar.

 

 
 
 
  • Desligar notificações por uma manhã.
  • Caminhar sem fones — ouvir o mundo como ele é.
  • Trocar “preencher o silêncio” por “habitar o silêncio”.
  • Criar um ritual de silêncio antes de dormir — uma xícara quente, luz baixa, livro aberto, nenhuma urgência.
 
 

Transforme em algo novo aquilo que você não usa mais.

O processo é fácil, sem taxas e você pode iniciar a qualquer momento.

 
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Enviado por Marina Schaffa
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