MS Journal #21 : Novembro 2025 |
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O TATO É A NOSSA PRIMEIRA MEMÓRIA |
Em uma época dominada pelo olhar — saturada de telas, imagens e pixels — esquecemos que o mundo começa pelo toque.
Antes de interpretar, sentimos. Antes de entender, encostamos.
O tato é a nossa primeira memória.
Filósofos como Merleau-Ponty já diziam que o corpo não é apenas um objeto no mundo, mas o meio pelo qual o mundo se torna real para nós.
E é pelo tato — esse sentido pré-verbal, silencioso e teimosamente presente — que a realidade se aproxima e se deixa perceber.
O toque é o que revela peso, resistência, temperatura.
É ele que registra pressão, textura, proximidade.
Não sentimos apenas superfícies: sentimos forças, presenças, histórias.
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Assim como na nova coleção Relevo, o tato é sempre encontro entre forças.
É o gesto que marca a matéria, é o amassado que revela forma, é o que se destaca depois da pressão — uma espécie de geografia íntima entre mão e metal.
O relevo é o traço deixado pelo contato.
Bachelard dizia que a matéria acolhe a imaginação, que o toque desperta memórias antigas — como quem reencontra uma sensação que não sabia que lembrava.
A coleção nasce desse lugar: do tátil que desperta, do imperfeito que acolhe, do amassado que revela.
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Há artistas que nos lembram de algo mais profundo — aquilo que só o tato é capaz de revelar. |
Elana Herzog, trabalha com tecidos e materiais reaproveitados, que ela rasga, grampeia e tensiona até revelar o que há de mais humano: a marca do tempo, o esforço, o desgaste. Suas superfícies carregam o gesto como cicatriz — o toque visível na fibra, a memória que se imprime na matéria. |
Ranjani Shettar cria esculturas e instalações que parecem suspensas entre o orgânico e o etéreo. Madeira, cera e pigmentos naturais ganham forma através do toque, do dobrar, do esculpir. Suas obras revelam a delicadeza do gesto artesanal, o momento em que a matéria responde à mão, e o toque se torna arte. |
Solange Pessoa transforma materiais como terra, couro e cera em esculturas que evocam o relevo do Brasil — morros, montanhas, curvas. Sua arte é profundamente tátil: convida o olhar a imaginar o peso, a textura, a densidade. É o corpo da natureza traduzido em forma, onde cada dobra é um vestígio de vida. |
Vem aí, Relevo.
25.11 em marinaschaffa.com.br
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