Funcionalidade: a joia, aqui, sempre nasce a partir dessa demanda. Foi em Nova York — depois de deixar a carreira de advogada — que Marina Schaffa, nome por trás da marca homônima, percebeu o valor de peças que acompanham a rotina com personalidade. “Eu queria falar com a mulher prática, que sabe o que quer e precisa de soluções”, diz. Ouro 18k, acabamento pensado para uso contínuo, proporções que não pesam. As combinações ampliam o repertório sem confundir: cada peça soma, nenhuma disputa.
A estética funcional da marca nasce de um olhar arquitetônico. Marina sempre se inte- ressou pelas formas que organizam o espaço e pelas sensações que elas provocam. Na joalheria, esse interesse virou método: cada linha tem propósito, cada volume procura equilíbrio. O desenho começa pela sensação — como o metal toca a pele, onde repousa, como se move com o corpo. “A forma cria a sensação. Quando algo nos encontra no ponto certo, a gente se reconhece.” Por isso, seu design não segue tendência nem busca impacto imediato, mas constância.
A coleção Relevo abre um capítulo orgânico nesse vocabulário, parte do desejo de criar superfícies que convidam ao toque: imagine o metal levemente pressionado pelo polegar, criando altitudes suaves, como morros vistos da estrada. “Eu me permiti ir além do geométrico. Queria a delícia de passar o dedo numa forma disforme, deixar o metal respirar”, conta. O colar que deu início à coleção traduz esse relevo: curvas que cedem e resistem, sem rigidez gratuita.
Em paralelo, Marina lança o broche 25, que celebra os cinco anos da marca no Brasil. Uma peça pensada para o dia a dia — para prender, deslocar, ajustar —, que transforma a função em desenho e reflete o mesmo rigor presente em todo o seu trabalho. Menos ornamento, mais ponto de ancoragem.
Não por acaso, Marina chama suas criações de joias-ferramentas. Não há manual, cada pessoa encontra seu modo de uso, faz combinações, altera escalas.
“As joias dão liberdade para a mulher ser quem ela é.
Não imponho regra. O desenho precisa durar e se adaptar”, diz Marina.
Temporalidade, aqui, não é promessa de eternidade vazia: é a capacidade de permanecer interessante enquanto a vida muda.
Esse universo se expande em conteúdos próprios. O MS Journal e o MS Radio aproximam a marca de temas que movem a designer, que acredita que tudo o que nos cerca influencia o modo como escolhemos e usamos uma joia. “Quis criar um espaço onde as pessoas entendessem por que gostam do que gostam. Esse reconhecimento é o começo do estilo”, diz.
No fim, a proposta é simples: dar ferramentas para que a expressão aconteça. O extraordinário surge do contínuo, não do imediato. Entre um fecho que encaixa sem esforço e um volume que encontra o corpo, as joias de Marina Schaffa encontram o seu lugar.