Visualizar este e-mail como página web

 

MS Journal #27  :  Janeiro 2026

 
 

O que vale acompanhar no mundo da arte agora

 

Arte não como fuga, mas como ferramenta de leitura do presente.
Menos contemplação abstrata, mais atenção ao que está sendo produzido, exibido e debatido.

 

 

 

Neste ciclo, o interesse não está apenas nas grandes feiras ou nos nomes consagrados, mas em artistas e exposições que ajudam a entender temas como identidade, tecnologia, memória, corpo, território e excesso de informação.

 

 

 

Este MS Journal reúne uma curadoria do que faz sentido acompanhar — não como tendência, mas como repertório, contexto e continuidade.

 
 
 

Artistas para acompanhar em 2026

 

Eles chegam a este momento após um acúmulo consistente de exposições e atenção institucional. Já circulam no circuito global e entram agora em uma fase de maior visibilidade.

 

 

by Artsy

 
Anel Gap

© Diambe, Vida Amorável, 2025 - Simões de Assis

 

Diambe — Brasil, São Paulo
Pintura e escultura com materiais orgânicos, atravessadas por memória, interioridade e construção simbólica do corpo.

 

 

 

Tuan Andrew Nguyen — Vietnã / Estados Unidos
Trabalha com vídeo e instalação, combinando narrativa poética, história e processos coletivos ligados a memória e território.

 

 

 

Balraj Khanna — Índia / Reino Unido
Pintura marcada por gestualidade e linguagem simbólica; uma retrospectiva prevista reposiciona sua trajetória transnacional.

 

 

 

Klára Hosnedlová — República Tcheca / Alemanha
Ambientes imersivos com tecidos e materiais industriais, investigando identidade coletiva, pertencimento e escala.

 

 

 

Kim Hankyul — Coreia do Sul, Oslo
Escultura e instalação como ferramentas para explorar corpo, tecnologia e percepção ampliada.

 

 

 

Gabriel Chaile — Argentina
Cerâmica e escultura ligadas a práticas comunitárias, memória indígena e arquitetura vernacular.

 

 

 

Benni Bosetto — Itália
Escultura e performance voltadas ao corpo, à construção da identidade e à materialidade do gesto.

 

 

 

Pat Oleszko — Estados Unidos
Performance e escultura feminista; obra histórica revisitada por grandes instituições neste ciclo.

 

 

 

Seba Calfuqueo — Chile
Performance, vídeo e instalação a partir de perspectivas mapuche, abordando colonialismo, gênero e ecologia.

 

 

 

Tony Lewis — Estados Unidos
Desenho como sistema de linguagem, articulando poder, história e tradição visual.

 

 

 

Nat Faulkner — Reino Unido

Processos fotográficos expandidos em escala escultural, com crescente presença institucional na Europa.

 

 

 
 

Exposições no radar

 

Agenda nacional
Os eventos que vão desenhar o ano da arte no Brasil

 
Anel Gap

© Bob Wolfenson

 

2026 se desenha como um ano de consolidação e deslocamento: feiras amadurecem, instituições se expandem e o artesanal volta ao centro do debate, agora atravessado por tecnologia, sustentabilidade e identidade latino-americana. Abaixo, o que acompanhar de perto.

 

 

 

Instituições e exposições

 

 

A temporada começa no Rio, com Presenças na Amazônia, de Bob Wolfenson, no Museu do Amanhã, uma imersão sensorial que propõe uma leitura afetiva da floresta e de seus territórios humanos.

 



Em São Paulo, o 17º Salão dos Artistas Sem Galeria, na Zipper Galeria, reafirma seu papel como radar de novas pesquisas e linguagens fora do circuito comercial tradicional.

 

 

 

Mercado e feiras

 

 

Abril marca o ritmo do mercado, com a SP-Arte no Pavilhão da Bienal, consolidando São Paulo como epicentro latino-americano da arte e do design.

 



Em maio, a ArPa Feira de Arte amplia esse diálogo ao reunir galerias, artistas e instituições de diferentes regiões do país, reforçando redes e circulação cultural.

 

 

 

Território e cultura material

 

 

O segundo semestre desloca o eixo. A Fenearte, em Recife, reafirma a força do fazer manual e das tradições artesanais como linguagem contemporânea.

 



Em agosto, a SP-Arte: Rotas aposta em projetos curatoriais e diálogos latino-americanos. 

 

 

 

Instituições em expansão

 

 

Setembro concentra dois pólos simbólicos: a ArteRio, no Rio, e a celebração dos 20 anos do Inhotim, com novas obras, inaugurações e revisões de seu próprio legado.

 

 

 

Ao longo do ano, o Instituto Moreira Salles costura esse mapa com uma programação dedicada à fotografia, à memória e às identidades brasileiras, entre São Paulo, Rio de Janeiro e Poços de Caldas — com destaque para projetos que revisitam arquivos, narrativas amazônicas e perspectivas indígenas.

 
 
 

Agenda Internacional
Arte, cidade e deslocamento: onde estar em 2026

 

2026 se impõe menos pelo volume e mais pela densidade. O circuito internacional se organiza em torno de grandes exposições institucionais, projetos de longa duração e intervenções que deslocam a arte para o espaço urbano, sugerindo um ano de escuta, reavaliação histórica e experimentação cuidadosa.

 
Anel Gap

© JR, La Caverne du Pont Neuf, colagem preparatória, 2025, Foto: Cortesia Atelier JR © 2025 JR

 

Eixos institucionais

 

 

Paris concentra um dos maiores acúmulos simbólicos deste ano. O Grand Palais abre a temporada com All About Love, retrospectiva de Mickalene Thomas, e, na sequência, apresenta uma grande mostra dedicada a Henri Matisse, reafirmando o peso histórico da instituição em um momento de reconfiguração dos museus franceses.

 



A cidade segue como eixo com a retrospectiva de Alexander Calder na Fondation Louis Vuitton; The Harvest Season, de Ibrahim Mahama, na Fondation Cartier, concebida como um ecossistema colaborativo; e uma grande retrospectiva de Melvin Edwards no Palais de Tokyo, conectando escultura, política e memória transatlântica.

 


Fora das paredes institucionais, JR ocupa o espaço público com uma intervenção temporária no Pont Neuf.

 

 

 

No norte da Espanha, o Guggenheim Bilbao dedica uma ampla retrospectiva a Maria Helena Vieira da Silva, reposicionando uma obra que atravessa abstração, arquitetura e paisagens mentais — um reencontro silencioso, mas fundamental.

 
Anel Gap

© Maria Helena Vieira da Silva, Le vieux Lisbonne, 1987

 

Releituras históricas

 

 

Londres aposta em duas frentes complementares. A Tate Modern revisita quatro décadas da produção de Tracey Emin, reafirmando o corpo e a experiência pessoal como campos políticos.

 

 



Já a Tate Britain olha para o passado recente com The 90s, exposição que cruza arte, moda, fotografia e música para entender a década que moldou a cultura visual contemporânea.

 

 

 

Museu como organismo

 

 

Na Suíça, a Fondation Beyeler apresenta uma mostra de Pierre Huyghe que transforma o museu em sistema vivo.

 

 

 

Em Tóquio, o Mori Art Museum recebe o retorno de Mariko Mori, conectando ecologia, espiritualidade e tecnologia.

 
Anel Gap

© Mariko Mori, “Wave UFO,” 1999-2002,

 

Mercado em deslocamento

 

 

O eixo de poder do mercado também se move. A Art Basel estreia no Qatar sob direção artística de Wael Shawky, enquanto a Frieze inaugura sua edição em Abu Dhabi, em diálogo com a expectativa da abertura do Guggenheim Abu Dhabi.

 

 

 

Enquanto Art Basel, Salone del Mobile e a Bienal de Veneza  seguem como plataformas transversais — menos vitrine, mais termômetro cultural.

 
Anel Gap

© M7, futura sede da Art Basel Qatar.
Photo : Julius Hirtzberger/Courtesy Art Basel.

 

Instituições norte-americanas



Em Nova York, dois marcos definem o período: o New Museum inaugura sua expansão com New Humans: Memories of the Future, refletindo sobre corpo, identidade e sistemas tecnológicos, enquanto a Whitney Biennial propõe um retrato fragmentado da produção contemporânea.

 

 

 
 

Museus que finalmente se materializam

 

2026 também é o ano de inaugurações aguardadas,  algumas há décadas.

 

 

O New Museum inaugura sua expansão com New Humans: Memories of the Future, exposição que reflete sobre corpo, identidade e sistemas tecnológicos. A reabertura acontece em 21 de março, após mais de três anos de obras.

 
Anel Gap
 

Em Los Angeles, o Lucas Museum of Narrative Art, concebido por George Lucas e Mellody Hobson, inaugura com uma proposta clara: borrar as fronteiras entre arte, cinema, ilustração e cultura visual de massa.

 

 

 

Fora dos grandes eixos, outros projetos chamam atenção justamente por recusarem o óbvio. Na Eslovênia, o Muzej Lah aposta em uma coleção precisa e autoral, lembrando que relevância institucional não depende de capitais culturais consagradas. Já em Bruxelas, o Kanal – Centre Pompidou avança como uma das maiores apostas museológicas da Europa, articulando herança industrial, escala monumental e programação em diálogo com o Centre Pompidou. 

 
Anel Gap

Vista aérea do Museu Lucas de Arte Narrativa em construção, setembro de 2025.
© Foto: Pedro Ramirez 2025 Museu Lucas de Arte Narrativa

 

Enquanto novos espaços se afirmam, museus históricos também revisitam seus próprios alicerces, com tempo, método e disposição para rever certezas.

 

 

 

O Metropolitan Museum of Art apresenta a primeira grande retrospectiva de Raphael nos Estados Unidos, um movimento tardio, mas significativo, que propõe reler um dos pilares do Renascimento à luz de questões contemporâneas.

 

 

 

O MoMA e o Philadelphia Museum of Art revisitam Marcel Duchamp em uma mostra que promete recolocar o artista no centro do debate contemporâneo, mais de 50 anos após sua última retrospectiva no país.

 

 

 

Frida Kahlo, Ana Mendieta, Van Eyck, Vermeer também reaparecem em mostras que evitam o tom celebratório. 

 
 

Menos previsão, mais atenção

 

 A arte neste ciclo opera menos na urgência e mais na consistência.
Menos lançamento, mais processo.

 

 

 

Este MS Journal é um recorte do que vale acompanhar com método, contexto e tempo.

 

 

 

Seguimos observando.

 
 

Transforme em algo novo aquilo que você não usa mais.

O processo é fácil, sem taxas e você pode iniciar a qualquer momento.

 
shop sobre contato MS Upcycle MS Journal MS Radio
Instagram

Enviado por Marina Schaffa
Caso não queira mais receber estes e-mails, cancele sua inscrição.