MS Journal #28 : Fevereiro 2026 |
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Outro dia, vimos um cartaz colado num poste que dizia: “Normalize not having an opinion on things you don’t understand.” |
Desde então, essa frase não nos sai da cabeça. Talvez porque ela toque num cansaço silencioso do nosso tempo.
Vivemos num mundo em que não ter opinião virou quase um defeito moral. Silêncio parece omissão; dúvida parece fraqueza; aprender parece lento demais.
Existe uma pressão constante para reagir, comentar, se posicionar — rápido, de preferência, mas tenho saudade de um outro ritmo, de quando mais pessoas ouviam, de quando a curiosidade vinha antes da conclusão, de quando nem todo assunto exigia uma resposta imediata.
Hoje, todo mundo precisa parecer especialista em alguma coisa, mesmo quando não é.
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Quando não saber parece saber demais |
A psicologia tem um nome para isso: efeito Dunning-Kruger.
É um viés cognitivo que mostra que pessoas com pouco conhecimento sobre um tema tendem a superestimar o quanto sabem. Já quem realmente estudou, aprofundou, entendeu a complexidade… costuma ser mais cauteloso, mais cheio de dúvidas.
É quase irônico: quanto menos se sabe, mais certezas aparecem.
E talvez não seja coincidência que esse comportamento floresça justamente num ambiente que recompensa rapidez, opiniões fortes e posicionamentos instantâneos.
A arte já nos avisava
Esse desconforto com “a certeza” não é novo. A arte contemporânea vem questionando isso há décadas.
Artistas como Barbara Kruger usam frases curtas, quase publicitárias, para expor o absurdo de discursos autoritários e certezas vazias. Elas não explicam, interrompem.
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Jenny Holzer levou esse gesto para o espaço público, projetando frases em prédios e ruas. Não são opiniões e sim, provocações que pedem pausa.
E muito antes disso, René Magritte já alertava: nomear não é compreender. Ceci n’est pas une pipe segue sendo um lembrete elegante contra interpretações apressadas.
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Talvez esse cartaz funcione tão bem justamente por isso. Ele não ensina, não acusa, não disputa atenção, apenas lembra algo essencial: reconhecer limites é um gesto de inteligência.
Menos opinião, mais escuta
As redes sociais parecem caminhar na direção oposta. Elas premiam a certeza, não o rigor. A opinião forte, não o pensamento elaborado. O posicionamento rápido, não a escuta. Talvez o problema não seja o acesso à informação, mas a confusão entre ler e compreender, entre falar e saber.
É tão melhor quando só quem sabe fala. Quando existem fontes confiáveis, profundas, que estudaram, viveram, erraram, revisaram ideias.
E nós podemos simplesmente ouvir. Aprender, sem performar expertise. Normalizar o “não sei” não é se ausentar do mundo, é escolher um jeito mais honesto de estar nele. E, quem sabe, assim, a gente volte a ter conversas melhores também.
Até a proxima!
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